Futebol italiano: presidente da federação renuncia após terceira eliminação em copas do mundo

O cenário do futebol italiano foi abalado nesta quinta-feira com a renúncia de Gabriele Gravina, presidente da Federação Italiana de Futebol (FIGC). A decisão ocorre após a seleção nacional, a “Azzurra”, falhar em se classificar para a Copa do Mundo pela terceira edição consecutiva, um revés que aprofunda a crise no esporte do país. A saída de Gravina, que estava no cargo desde 2018, marca o fim de um período turbulento, caracterizado por um título europeu e, simultaneamente, pela ausência em importantes torneios globais.

A decisão de Gravina e o fiasco recente da Azzurra

Gabriele Gravina, de 72 anos, anunciou sua renúncia após a eliminação da Itália na repescagem europeia para a Copa do Mundo. A derrota nos pênaltis para a Bósnia e Herzegovina, na última terça-feira, em Zenica, selou o destino da seleção, impedindo sua participação no Mundial que será sediado por Estados Unidos, México e Canadá. Este é o terceiro torneio consecutivo que a tetracampeã mundial não consegue alcançar, somando-se às ausências nas edições de 2018 e 2022.

A FIGC informou que Gravina comunicou aos membros do conselho sua renúncia ao mandato, que se encerraria em fevereiro de 2025, e convocou uma assembleia extraordinária para o dia 22 de junho em Roma. A pressão sobre o dirigente aumentou consideravelmente após o resultado desfavorável, levando a um pedido público de sua saída por parte do ministro dos Esportes da Itália, Andrea Abodi, que classificou o momento como um “terceiro apocalipse” para o futebol italiano.

Gestão Gravina: entre o auge europeu e o declínio mundial

A gestão de Gabriele Gravina na FIGC, iniciada em 2018, foi um período de contrastes marcantes para o esporte nacional. Sob sua liderança, a seleção conquistou a Eurocopa em 2021, um feito que trouxe grande alegria e esperança para a nação. No entanto, este sucesso continental foi ofuscado pela incapacidade de se classificar para as Copas do Mundo de 2022 e 2026.

Além das eliminações em Mundiais, a “Azzurra” também teve um desempenho abaixo do esperado na última Eurocopa, em 2024, sendo eliminada nas oitavas de final. Este resultado foi considerado a pior campanha da seleção em um torneio continental, adicionando mais um ponto de interrogação sobre a direção do futebol no país. Gravina, que também ocupa o cargo de vice-presidente da UEFA, tentou se antecipar aos pedidos de demissão, convocando um conselho para avaliar a situação imediatamente após a derrota em Zenica.

O clamor por renovação e os próximos passos na FIGC

A renúncia de Gravina abre caminho para uma reestruturação profunda na Federação Italiana de Futebol. O ministro dos Esportes, Andrea Abodi, enfatizou a necessidade de “refundar” o futebol italiano, um processo que, segundo ele, deve passar por uma renovação na diretoria da FIGC. A busca por um novo líder já começou, e o nome de Giovanni Malagò, ex-presidente do Comitê Olímpico Italiano, é o mais cotado para assumir o comando.

A crise se estende também à comissão técnica da seleção. Gennaro Gattuso, contratado em junho de 2025, deve deixar o cargo antes da assembleia extraordinária de 22 de junho, segundo a imprensa local. O ex-goleiro Gianluigi Buffon, que atuava como gerente-geral da seleção, também entregou seu cargo após a renúncia de Gravina, indicando uma limpeza geral na cúpula do futebol nacional.

Desafios futuros e a ameaça da UEFA sobre os estádios

O novo presidente da FIGC terá uma série de desafios urgentes pela frente. Além de encontrar um novo técnico para a seleção – o quarto desde junho de 2023 –, será crucial acelerar a organização da Eurocopa de 2032, que a Itália sediará em conjunto com a Turquia. Este último ponto, em particular, é motivo de preocupação.

Em uma entrevista recente ao jornal La Gazzetta dello Sport, o presidente da UEFA, Aleksander Ceferin, fez um alerta severo, ameaçando retirar o torneio continental da Itália caso não haja avanços significativos na modernização de seus estádios. Ceferin classificou as infraestruturas italianas como “entre as piores da Europa”, sublinhando a urgência de investimentos e reformas para garantir a realização do evento e a competitividade do futebol italiano no cenário internacional.

Fonte: jovempan.com.br