Impostos nos EUA Viram Pesadelo para Seleções na Copa de 2026, Fifa Falha em Acordo Fiscal Geral

Impostos nos EUA: A Nova Dor de Cabeça da Copa de 2026 para Seleções

A Copa do Mundo de 2026, que terá os Estados Unidos como um dos países-sede, já enfrenta turbulências nos bastidores, com a Fifa e as seleções nacionais em rota de colisão. Uma falha da entidade máxima do futebol em garantir um acordo geral de isenção fiscal com os EUA pode gerar um verdadeiro pesadelo financeiro para muitas equipes.

A reportagem do jornal The Guardian, publicada nesta quinta-feira (2), revela que a maioria das seleções classificadas terá que arcar com custos adicionais devido a divergências nos tratados tributários internacionais americanos. Isso significa que, mesmo com a Fifa tendo isenção fiscal nos EUA desde 1994 por ser uma entidade sem fins lucrativos, as equipes precisarão pagar impostos sobre seus rendimentos no torneio.

O cenário é ainda mais complexo, pois as taxas podem ser desproporcionalmente maiores para seleções cujos países não possuem acordos tributários específicos com os Estados Unidos. De 48 equipes participantes, apenas 18 assinaram um acordo prévio para evitar a dupla tributação, o que as isenta de impostos federais. Conforme informação divulgada pelo The Guardian, seleções como Curaçao e Cabo Verde podem enfrentar impostos mais altos do que potências como Inglaterra e França, que já possuem tratados para evitar a dupla tributação.

O Impacto Desigual dos Impostos Americanos

A consultora tributária Oriana Morrison, que já prestou assessoria para as federações portuguesa e brasileira, destacou ao The Guardian o impacto negativo dessa situação. “Muitas das equipes menores, para as quais esse tipo de lucro inesperado teria feito uma enorme diferença em suas indústrias do futebol, serão penalizadas com enormes impostos nos EUA. Esse é um dinheiro que poderia ter desenvolvido muito melhor suas indústrias de futebol localmente, mas vai ficar nos EUA.”, afirmou Morrison.

Um exemplo prático dessa disparidade é a situação de técnicos. Carlo Ancelotti, técnico da Seleção Brasileira, terá que pagar impostos sobre seus rendimentos tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos. Em contrapartida, Thomas Tuchel, técnico da Inglaterra, sofrerá encargos apenas em seu país de origem, o Reino Unido. Essa diferença evidencia como a falta de um acordo fiscal geral afeta de maneira distinta cada federação.

Isenções Fiscais no Canadá e México Oferecem Alívio Parcial

Em contraste com a situação nos EUA, o Canadá e o México, também países-sede da Copa de 2026, demonstraram maior colaboração. Ambos concederam isenções fiscais a todas as associações presentes no mundial. Isso significa que as seleções que disputarem jogos nessas sedes terão seus custos com impostos significativamente menores, oferecendo um respiro financeiro importante.

Apesar das dificuldades fiscais, o Brasil já conhece seu caminho inicial na competição. Integrante do Grupo C, a Seleção Brasileira estreia contra Marrocos, semifinalista da última Copa. Em seguida, enfrenta Haiti e Escócia. A expectativa é que o Brasil avance como líder de seu grupo, mas o caminho rumo ao Hexa pode apresentar desafios consideráveis a partir da fase de mata-mata, com possíveis confrontos contra seleções de peso.

Formato Inédito e Desafios Futuros na Copa de 2026

A Copa do Mundo de 2026, a 23ª edição do torneio, será realizada entre junho e julho, com um formato de disputa inédito que altera a dinâmica vista desde 1998. A competição contará com países estreantes, retornos ilustres e sedes nunca antes utilizadas, prometendo um espetáculo grandioso.

No entanto, as questões fiscais impostas pelos Estados Unidos adicionam uma camada de complexidade e incerteza para muitas seleções. A falta de um acordo tributário claro pode impactar o planejamento financeiro das federações, especialmente as de menor porte, desviando recursos que poderiam ser investidos no desenvolvimento do futebol em seus países. A expectativa é que a Fifa busque reverter essa situação para garantir uma competição mais equitativa.