Toyota Inova e Transforma Rodas Usadas em Blocos de Motor, Liderando a Economia Circular na Indústria Automotiva
A produção de automóveis consome vastos recursos e energia, impulsionando montadoras a buscar modelos de negócios circulares. A Toyota deu um passo significativo nessa direção ao detalhar um processo que transforma rodas de liga de alumínio usadas em blocos de motor para novos Toyota Corolla produzidos no Reino Unido.
Esta iniciativa, implementada na primeira Toyota Circular Factory em Burnaston, nordeste de Birmingham, visa fechar o ciclo de vida dos componentes e reduzir drasticamente o desperdício. O projeto exemplifica o compromisso da empresa com a neutralidade de carbono e a sustentabilidade em suas operações.
A estratégia da Toyota não apenas otimiza o uso de materiais, mas também reforça os princípios do Toyota Production System, buscando elevar o potencial de circularidade em futuros projetos. A iniciativa se alinha com o Toyota Environmental Challenge 2050, que visa a neutralidade de carbono em produtos e operações até 2050, com metas mais ambiciosas na Europa até 2040, conforme divulgado pela empresa.
O Processo Detalhado da Circularidade Automotiva
Na Toyota Circular Factory, carros em fim de vida passam por um desmonte minucioso. Equipes especializadas drenam fluidos, removem airbags e componentes eletrônicos, separam pneus das rodas e resgatam o conjunto motriz. Os plásticos internos são encaminhados para reciclagem, enquanto a carroceria segue para trituração.
As rodas de liga de alumínio, um dos focos principais, são processadas e preparadas para reuso. Posteriormente, são enviadas para a fábrica de motores da Toyota em Deeside, no norte do País de Gales. Lá, o alumínio reciclado é utilizado em fundições para a fabricação de blocos de motor e outros componentes essenciais para os sistemas híbridos.
Esses novos conjuntos motrizes retornam para a planta de Burnaston, onde são instalados nos novos Toyota Corolla. O primeiro veículo beneficiado por este ciclo inovador saiu da linha de produção em 19 de março, marcando um feito histórico para a montadora e para a indústria automotiva.
Metas Ambiciosas e Expansão Global da Economia Circular
A Toyota não está sozinha nessa jornada. Outras montadoras também estabelecem metas ambiciosas para a circularidade. A Volvo almeja atingir a circularidade total até 2040, eliminando desperdícios e poluição, enquanto a Ford busca reduzir em 50% as emissões de gases de efeito estufa de suas instalações nos EUA até 2035, com maior uso de energia renovável e materiais reciclados.
O uso de alumínio reciclado já é uma realidade em aplicações de grande volume, como nas caçambas da Ford F-150, demonstrando a transição da reciclagem do discurso para o produto concreto. A BMW utiliza metano canalizado de um aterro próximo para suprir mais de 20% de sua demanda energética em sua planta na Carolina do Sul.
A escolha de Burnaston, no Reino Unido, para a primeira Circular Factory se deve ao fato de o país ser um dos maiores mercados europeus de veículos em fim de vida. A fábrica, inaugurada em 1992, foi a primeira na Europa a produzir veículos híbridos e já entregou mais de cinco milhões de carros.
Planos Futuros e o Impacto da Inovação da Toyota
A Toyota planeja expandir sua rede de circularidade com a abertura de uma segunda Circular Factory em Wałbrzych, na Polônia, prevista para 2025. Esta nova unidade contribuirá para um ecossistema de fabricação mais amplo e sustentável na Europa.
Questionada sobre a possibilidade de uma unidade semelhante na América do Norte, a empresa informou que atualmente não possui uma fábrica desse tipo na região, mas que está em consulta com a matriz para avaliar a viabilidade do projeto. A iniciativa da Toyota reforça a importância da economia circular como um pilar fundamental para o futuro da indústria automotiva, promovendo a sustentabilidade e a inovação.


