Presidente da Federação Italiana Renuncia Após Terceira Copa do Mundo Consecutiva Fora da Disputa: Fim de uma Era para a Azzurra

Crise no Futebol Italiano: Presidente da Federação Renuncia Após Eliminação para a Copa do Mundo

O futebol italiano enfrenta um momento turbulento com a renúncia de Gabriele Gravina, presidente da Federação Italiana de Futebol (FIGC), anunciada nesta quinta-feira (2). A decisão vem após a dramática eliminação da seleção ‘Azzurra’ na repescagem europeia, que garantiu a terceira ausência consecutiva da tetracampeã mundial em Copas do Mundo.

A derrota nos pênaltis para a Bósnia e Herzegovina, após empate em 1 a 1 no tempo regulamentar e prorrogação, selou o destino de Gravina. A imprensa italiana já definia o resultado como um “terceiro apocalipse”, e o Ministro dos Esportes, Andrea Abodi, foi enfático ao pedir a saída do dirigente, considerando-o o principal responsável pela crise.

A FIGC comunicou que Gravina, que também é vice-presidente da Uefa, apresentou sua renúncia ao mandato iniciado em fevereiro de 2025 e convocou uma assembleia extraordinária para o dia 22 de junho em Roma. Este desfecho marca o fim de uma gestão iniciada em 2018, período que, apesar do título da Eurocopa em 2021, foi marcado por duas ausências em Copas e uma decepcionante campanha na última Eurocopa.

Um Legado Marcado por Altos e Baixos

Gabriele Gravina, aos 72 anos, liderou a FIGC desde 2018, ano em que a Itália também ficou fora da Copa da Rússia. Sob sua gestão, a seleção italiana conquistou a Eurocopa de 2021, um feito memorável que contrastou fortemente com as duas eliminações subsequentes em Copas do Mundo (2022 e a mais recente para a edição de 2026) e a queda nas oitavas de final da Eurocopa de 2024, a pior campanha em um torneio continental.

A pressão sobre Gravina aumentou consideravelmente após a derrota em Zenica. Em uma tentativa de antecipar os pedidos de demissão, ele convocou um conselho logo após a partida para uma avaliação de sua gestão. No entanto, a intervenção do Ministro dos Esportes, Andrea Abodi, que declarou a necessidade de uma “refundação” do futebol italiano e uma “renovação na diretoria da FIGC”, parece ter sido o golpe final.

Futuro Incerto e Renúncias em Cascata

O nome de Giovanni Malagò, ex-presidente do Comitê Olímpico Italiano, é o mais especulado para assumir o comando da FIGC em meio à grave crise. A tarefa do novo presidente será complexa, incluindo a busca por um novo técnico para a seleção, que já terá seu quarto comandante desde junho de 2023, e a organização da Eurocopa de 2032, que a Itália sediará em conjunto com a Turquia.

Além de Gravina, o ex-goleiro Gianluigi Buffon também pediu demissão do cargo de gerente-geral da seleção italiana, após a renúncia do presidente. A situação é agravada por declarações recentes do presidente da Uefa, Aleksander Ceferin, que ameaçou retirar a Eurocopa de 2032 da Itália caso não haja avanços na modernização de seus estádios, considerados “entre os piores da Europa”.

Técnico Gennaro Gattuso Também Deve Deixar o Cargo

A instabilidade no comando da seleção italiana não para por aí. Segundo a imprensa italiana, o técnico Gennaro Gattuso, contratado em junho de 2025, também deve deixar o cargo até o dia 22 de junho. A expectativa é que a nova diretoria da FIGC tenha como uma de suas primeiras e urgentes missões a contratação de um novo comandante para a Azzurra, buscando reerguer a confiança e o desempenho da equipe nacional.

A busca por um novo técnico e a reestruturação da federação são passos cruciais para o futuro do futebol italiano. A necessidade de modernização, tanto em termos de gestão quanto de infraestrutura, é clara, especialmente com a proximidade da Eurocopa de 2032 e a pressão da Uefa por melhorias significativas nos estádios.