A coletiva de imprensa concedida por Florentino Pérez, presidente do Real Madrid, na última terça-feira (12/5) repercutiu de forma extremamente negativa na mídia espanhola. O evento, que pegou os veículos de surpresa por ter sido anunciado apenas duas horas antes de seu início, colocou o mandatário merengue no centro de uma tempestade de críticas, com jornais esportivos classificando sua aparição como “grotesca” e “delirante”.
A insatisfação da imprensa se manifestou em manchetes contundentes. O jornal Sport, da Catalunha, não hesitou em definir a coletiva como “Real grotesco”, enquanto o Mundo Deportivo a classificou como “delirante”. Até mesmo o Marca, de Madri, que tradicionalmente tem uma linha mais próxima ao clube, usou termos como “desconcerto” e “grotesco” para descrever a performance de Pérez, evidenciando a amplitude do descontentamento.
Declarações polêmicas e ataques à imprensa
Durante sua fala, Florentino Pérez não apenas anunciou que não renunciaria ao cargo e que convocaria eleições adiantadas, mas também direcionou críticas a diversos veículos de imprensa. Em um momento particularmente controverso, o presidente do Real Madrid fez uma declaração considerada machista ao atacar diretamente uma jornalista do jornal ABC.
Ele iniciou sua crítica ao ABC mencionando a tradição de seu pai ler o jornal, mas afirmou ter decidido cancelar sua assinatura, alegando que o veículo “ataca o Real Madrid todos os dias”. A fala mais polêmica veio em seguida, quando ele questionou a competência de uma jornalista: “Vejam os dois artigos que escrevem hoje. Um deles foi escrito por uma mulher que não sei se percebe de futebol ou não”.
Momento turbulento e falta de títulos no clube
As críticas à coletiva de Pérez ocorrem em um período de grande instabilidade para o Real Madrid. O clube está prestes a completar dois anos sem conquistar um título de relevância, o que naturalmente eleva a pressão sobre a diretoria e o elenco. Este cenário de seca de troféus serve como pano de fundo para a insatisfação geral com a gestão.
Além da ausência de conquistas, os bastidores do Real Madrid têm sido marcados por incidentes que expõem um ambiente conturbado. Na semana anterior à coletiva, o clube lidou com uma briga entre os jogadores Federico Valverde e Aurelien Tchouaméni, que resultou no uruguaio sendo levado ao hospital com traumatismo craniano. Outro episódio de agressão envolveu o zagueiro Antonio Rudiger e o lateral Álvaro Carreras.
A polêmica de Mbappé e o descaso percebido
A situação envolvendo o atacante Kylian Mbappé também contribuiu para o clima de tensão no clube. A viagem do jogador à Itália com a atriz Ester Expósito, sua namorada, repercutiu negativamente entre os jogadores merengues. Este fato foi especialmente malvisto porque Mbappé não esteve presente com o elenco na vitória do Real Madrid por 2 a 0 sobre o Espanyol, em 3 de maio.
A ausência do astro francês foi interpretada por muitos como um descaso em relação à reta final da temporada, um momento crucial para as ambições do time. A sequência de eventos negativos, desde a falta de títulos até as polêmicas internas e externas, intensifica o escrutínio sobre a liderança de Florentino Pérez e o futuro do clube.
Fonte: metropoles.com



