A equipe do Porãbask, representando Mato Grosso do Sul, viveu uma noite de intensas emoções ao conquistar o título do basquete masculino sub-18 nos Jogos Escolares Brasileiros (Jebs), em Brasília. A vitória por 74 a 63 sobre a equipe de São Paulo, um feito inédito para o projeto, foi marcada por um misto de alegria e tristeza, pois ocorreu no mesmo dia da notícia do falecimento do ex-jogador Oscar Schmidt. Para os jovens atletas e o treinador Hugo Costa, Oscar era mais do que um ídolo; ele foi o grande viabilizador de um sonho que transformou vidas.
A dois minutos de entrar em quadra para a final, a equipe foi informada da morte do “Mão Santa”, nome pelo qual Oscar era carinhosamente conhecido. O silêncio e a emoção tomaram conta dos rapazes de Ponta Porã (MS), que viram no ex-atleta o pilar de um projeto social que, há anos, oferece oportunidades através do esporte. A conquista, portanto, assume um significado ainda mais profundo, sendo dedicada à memória do incentivador que acreditou no potencial dos jovens da periferia.
O legado de Oscar Schmidt no basquete social
Para o treinador Hugo Costa, de 59 anos, e para os jovens do Porãbask, Oscar Schmidt transcende a imagem de um ícone esportivo. Ele foi a figura que, há 19 anos, tornou possível a estruturação do projeto social, que antes operava de forma improvisada. Graças ao apoio do ex-jogador, o programa ganhou um ginásio próprio, permitindo que o basquete escolar florescesse em uma comunidade onde antes havia apenas um “terrão”.
Em 2007, Oscar visitou Ponta Porã, conheceu o trabalho de Hugo Costa e rapidamente se tornou um amigo e um incentivador constante. O “Mão Santa” passou a usar sua influência para angariar recursos, mencionando o projeto em suas palestras e mobilizando apoio para a construção de uma quadra coberta. O resultado foi a aquisição de um terreno e a edificação de um ginásio que hoje leva o nome do próprio Oscar, um testemunho de seu compromisso com a iniciativa. Saiba mais sobre o projeto e a vitória.
Emoção e homenagem em quadra
A vitória na final dos Jebs, com o placar de 74 a 63, representou a primeira vez que o Porãbask alcançou o topo do pódio em torneios escolares. Esse triunfo histórico, no entanto, veio acompanhado da notícia da morte de seu maior benfeitor, criando um cenário de emoções conflitantes. O treinador Hugo Costa, com os olhos marejados, expressou o peso do momento.
Hugo Costa, que fundou o projeto social em 2004 sob o nome de “Meninos do Terrão”, em uma quadra improvisada no Jardim Irene, na periferia da cidade, lamentou a coincidência. Ele afirmou que, após mais de 20 participações em jogos escolares, a primeira conquista do campeonato servia como uma homenagem póstuma a Oscar Schmidt, que sempre o encorajou a persistir e a sonhar grande.
Transformando vidas além das quadras
O treinador Hugo Costa ressalta que Oscar Schmidt transmitiu a lição da obstinação e da crença de que o basquete pode ser praticado em qualquer lugar, desmistificando a ideia de que o esporte seria exclusivo para determinados grupos sociais ou regiões. Essa filosofia se tornou um pilar do projeto, que vai muito além da formação de atletas.
O principal objetivo do Porãbask é formar cidadãos. A iniciativa já viu seus participantes se tornarem profissionais em diversas áreas, como educação física e medicina, mantendo contato com o treinador mesmo após seguirem suas carreiras. A presença do clube na comunidade do Jardim Irene transformou a região em uma referência esportiva, demonstrando o poder do esporte na educação, responsabilidade e disciplina dos jovens.
Sonhos e gratidão dos campeões
Ao subir no pódio, os jovens atletas do Porãbask refletiram sobre os sacrifícios, os treinos diários e o apoio de suas famílias. Rafael Cardozo, de 17 anos, que está no terceiro ano do ensino médio, pensou em sua mãe, que o cria junto ao irmão mais novo, e expressou sua gratidão. Ele planeja cursar gestão hospitalar, mas pretende manter o basquete como uma paixão.
A morte de Oscar Schmidt também impactou profundamente Rafael, que reconheceu a importância do ex-jogador para o Brasil e para o projeto. Samuel Menezes, também de 17 anos e cestinha da partida com 30 pontos, compartilhou o sentimento. Ele aspira a uma carreira em educação física e no esporte, e lembrou-se de assistir aos jogos antigos de Oscar pela internet. Com um sorriso, Samuel declarou: “Hoje eu fui o Mão Santa do meu time”, celebrando a vitória que transformou o silêncio inicial em uma quadra repleta de sorrisos e emoções.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br



